- O 10 Magnífico,a aventura de uma criança no mundo da matemática, Anna Cerasoli, AMBAR.
- Aristides de Sousa Mendes, José-Alain Fralon, Editorial Presença. História do diplomata português que salvou milhares de vidas do Holocausto.
- História do Rei Transparente, Rosa Montero, Edições Asa Considerado o melhor romance histórico de 2005, em Espanha, remonta aos tempos medievais, século XII, trata-se de uma "história ambiciosa de mulheres, templários, guerras e descobrimentos".
O Cônsul português em França que desobedeceu a Salazar "em nome" da dignidade humana! Com a invasão da França pelas tropas nazis em Maio de 1940, a salvação possível para os judeus era abandonar o território e conseguir entrar num país neutral. Para isso precisavam de um visto. Ele estava proibido de emitir vistos , nomeadamente a judeus e antifascistas, que por razões raciais ou ideológicas, eram considerados como indesejáveis. Contudo, este cônsul considerava estas normas racistas e desumanas. Por isso, protagonizou a "desobediência justa". Não acatou a proibição de Salazar de se passarem vistos a refugiados: transgrediu e passou 30 mil, sobretudo a judeus.
Foi o maior símbolo português saído da II Guerra Mundial.
"É o herói vulgar. Não estava preso a causas. Estava preso a uma questão fundamental: a sua consciência", (Ferreira Fernandes, jornalista).
O processo de reabilitação de Aristides de Sousa Mendes foi longo. Israel foi o 1º país a reconhecer o gesto do Cônsul, atribuindo-lhe, a título póstumo, a Medalha de Ouro dos “Justos”, do Yad Vashem, em 1967. Nesse ano, foi também plantada uma árvore, em sua memória, na Alameda dos Justos, em Jerusalém.
BERLIM, 22 DE JUNHO DE 1990. DESAPARECE O CHECKPOINT CHARLIE Com uma cerimónia brilhante, em que assistiram os ministros dos Assuntos Exteriores dos aliados e das duas Alemanhas, assim como os alcaides de Berlim Ocidental e Oriental, uma grua fez desmoronar o célebre Checkpoint Charlie. Era uma guarita instalada junto ao muro de Berlim que servia como controlo militar. Esta guarita tornou-se famosa na realidade e na literatura de espionagem e no cinema, pois era o lugar escolhido para o intercâmbio de espias descobertos e detidos pelo Ocidente e pela URSS durante a guerra fria.
"O INFERNO CHEGOU À TERRA..." "O tempo estava perfeito no dia 6 de agosto de 1945, quando os aviões decolaram da base de Tinian, no arquipélago das Marianas, no Pacífico, rumando para o Japão, comandados por Paul Tibbets. Em Hiroshima a vida naquela manhã estava em seu ritmo normal; os homens dirigiam-se para as fábricas de armamentos e a crianças saindo para a escola. Os aviões B-29, preparados para a missão de lançamento da bomba, foram vistos sobrevoando a mais de 10 mil metros de altura, mas nenhum alarme soou. Exactamente às 8h15m17s o enorme cilindro negro, apelidado de "Little Boy", foi lançado e os aviões deram uma volta de 180 graus para retornar à base. O minuto seguinte foi caótico e decisivo. Várias coisas aconteceram ao mesmo tempo em que a primeira bomba atómica detonava, a 617 metros do solo, bem no centro da cidade. Formou-se sobre Hiroshima uma bola de fogo, ofuscante e azul. Neste momento a temperatura aproximou-se de um milhão de graus centígrados. Um milionésimo de segundo depois subia para 5,5 milhões de graus. Tudo o que se encontrava a 500 metros do epicentro da bomba foi incinerado. Quase ninguém sobreviveu num raio de 800 metros. A explosão liberou uma alta quantidade de radiação. Quem não morreu queimado (os casos de queimadura eram horríveis, a pele se descolava do corpo, caindo em tiras) sofreu com os efeitos da radiação (depois de um tempo os cabelos começavam a cair e muitos mais tarde teriam câncer). Por último, uma nuvem de fumaça e vapor em forma de cogumelo escureceu a cidade. O horror estava apenas começando. O anel de fogo, originado da explosão, atingia a maior parte da cidade, às 9h. Os que ainda conseguiam andar se arrastavam para parques e zonas próximas dos rios que cortavam a cidade. Os abrigos começaram a ser improvisados. O número de mortos aumentava a cada minuto, menos de uma hora depois da explosão mais de 60 mil pessoas haviam morrido. Quatorze mil pessoas foram dadas como desaparecidas. A chuva negra começou por volta das 10 h, constituída por cinza e vapor misturados à radiação. Uma hora depois começaram a funcionar os primeiros hospitais improvisados. O atendimento limitou-se ao fornecimento de óleo e soro fisiológico, bandagens, arroz e água. Tóquio só foi saber da tragédia 20 minutos depois, quando um repórter da agência de notícias "Domei" conseguiu um telefone que funcionava. Algumas autoridades sobreviventes tentaram organizar a distribuição de arroz e água na praça da prefeitura e no Hospital da Cruz Vermelha. A noite chegou com um aumento dos incêndios por toda a parte. O rio Ota, com a maré cheia, arrastou os mortos e moribundos que tinham procurado alívio em suas águas. Três dias depois, em 9 de agosto, a operação se repetiria em Nagasaki, que só não sofreu estragos maiores por se situar entre colinas e porque o centro histórico da cidade ficou protegido. Mas o horror para os habitantes foi o mesmo.", Joana Monteleone
A DIVISÃO DA EUROPA "Nos primeiros dias de Maio de 1945, a Europa é uma verdadeira terra de ninguém. Os exércitos aliados, convergiam desde Este a Oeste, e acabavam de estabelecer contacto com o coração da Alemanha. A cidade de Berlim, até pouco tempo orgulhosa capital do Reich, não era mais que um imenso montão de ruínas, ocupada pelo Exército Vermelho. Este controla Budapeste, Viena, Praga, Varsóvia, Sofía, Bucareste... Todo o continente oferece-se como um campo aberto à acção dos protagonistas, decisores da situação. Nunca a Europa que tinha dominado o mundo, tinha-se encontrado em situação tão extrema, entregue à vontade de poderes estranhos a esta. Nunca o expansionismo soviético, herdeiro directo da voracidade territorial dos czares, tinha imaginado poder chegar tão longe. Ao mesmo tempo, o governo de Washington parece decidido a abandonar a sua política de neutralidade e substituir a esgotada Inglaterra na liderança do mundo demoliberal, que agora começa a adquirir sua natureza atlântica.", Traduzido e adaptado de Historia 16, año XV, nº 169 (vER IMAGEM NO BLOG: CRAVOSREVOLUCIONÁRIOS).
FOTOGRAFIAS DE GUERRA "Com uma ideia na cabeça e uma arma na outra, o jovem tenente-fotógrafo Ievgeni Khaldei chegou a Berlim em 1945, nos últimos momentos da batalha em que o Exército soviético acabava de derrotar Hitler. (...) Khaldei cobriu a guerra – como tenente da Marinha e fotógrafo da agência oficial Tass – desde a invasão alemã da URSS, em 1941, quando partiu para a frente de combate. (...) Khaldei fez fotos de combate e do movimento de tropas, mas sua especialidade desde cedo foram as ruas e os personagens da guerra. Em uma delas, um casal de judeus, estrelas amarelas ainda pregadas no casaco, acaba de ser libertado do gueto de Budapeste, em Janeiro de 1945. "Eles olhavam para mim como se esperassem que fosse matá-los", relembra Khaldei. Também esteve em Viena, onde fotografou um oficial nazista que matou a família e se suicidou na cidade recém libertada, e em Sebastopol, livre mas em ruínas, onde fez uma foto que mostra oficiais soviéticos de alta patente e suas famílias tomando sol na praia semidestruída pelos bombardeios. "Khaldei concentrou-se no lado humano da guerra, principalmente em seu impacto sobre os civis. (...) Tinha uma sensibilidade meio inexplicável de perceber cenas acontecidas antes de ele chegar ao local e dar-lhes vida.", Adaptado de artigo da revista Veja, 5 Março 1997.
CENAS DA VIDA DE UM PILOTO DURANTE UMA BATALHA NA IIª GUERRA MUNDIAL «Era, frequente, o piloto ver-se obrigado a saltar do aparelho em voo, ora por falta de carburante, ora por incêndio a bordo, ora por os danos sofridos em combate tornarem perigosa a aterragem. O fogo era um risco sempre presente. Nos aviões de caça da R.A.F., o depósito de combustível ficava à frente da cabina do piloto e nem sempre existia uma blindagem protectora. Nos aparelhos alemães, o piloto sentava-se sobre o depósito, em forma de L, mas este era totalmente estanque, graças a uma camada isolante sintética, que ao ser colocada colava instantaneamente, obturando qualquer pequena abertura (...). Muitos pilotos equipavam-se de modo a ficar totalmente cobertos, sem um pouco que fosse de pele exposta ao ar; outros, antes do combate, abriam o vidro da carlinga, preferindo correr o risco das balas e enfrentar o frio a verem-se encerrados numa cabina em chamas. Contavam-se histórias arrepiantes de pilotos surpreendidos com incêndios a bordo, que sentiam, literalmente, a sua carne a assar (…). No caso de falta de combustível, o piloto podia aterrar em qualquer campo que lhe parecesse plano, se bem que no Sul de Inglaterra a maior parte deles estivesse crivada de fossas ou semeada de obstáculos, para impedir as aterragens inimigas. Uma vez em terra, bastava ao piloto caminhar até ao telefone mais próximo, para informar a esquadrilha do local onde se encontrava. Os Alemães, ao contrário, procuravam sempre reatravessar o canal da Mancha. Era muito arriscado tentar pousar um caça na água: para além do impacto, equivalente ao de um choque com uma parede de tijolos, o peso relativamente importante do motor, na extremidade do avião, arrastava-os para o fundo, o que não acontecia com os bombardeiros, que conseguiam flutuar durante dois ou três minutos. Assim sendo, a maior parte dos pilotos preferia saltar de pára-quedas.», Fonte: A Vida dos Pilotos durante a batalha de Inglaterra, Verbo.
Campo de Auschwitz na sua extensão
AUSCHWITZ, LONGO CALVÁRIO ATÉ À CÂMARA DE GÁS «Sobre a porta de entrada de Auschwitz I, pode-se hoje ler um letreiro que diz: "Arbeit macht frei" (O trabalho da liberdade). Situado em terra polaca, entre Katowice e Cracóvia, o campo de Auschwitz conta com a cifra de assassinatos mais alta: calcula-se em 4 000 000 o número de exterminados, a maioria deles judeus (3 000 000 mortos em câmaras de gás), para além de milhares de ciganos e de prisioneiros de guerra soviéticos. O Campo estava rodeado de arame farpado electrificado e várias torres com metralhadoras e potentes holofotes que vigiavam noite e dia as instalações. À chegada de cada comboio os SS gostavam de repetir num macabro cinismo: "Aqui entra-se pela porta e sai-se pela chaminé.», Fonte: Siglo XX. Los Grandes Hechos. La II Guerra Mundial, Ediciones Orbis, S.A.
No século XIX, a pujança da “Revolução Industrial” conduziu à sujeição dos trabalhadores a condições desumanas de laboração devido à necessidade de se produzir o máximo ao mais baixo custo, sem respeitar idades nem sexos. As organizações sindicais, essas, eram incipientes e perseguidas pelas autoridades policiais.
Até que, em 1886, no dia 1 de Maio, teve início uma greve geral com a adesão de mais de 1 milhão de trabalhadores em todo o território norte-americano. A reacção a esta paralisação foi violenta. No dia 1º de Maio de 1886, 500 mil trabalhadores saíram às ruas de Chicago (EUA)em manifestação pacífica, exigindo a redução da jornada para oito horas de trabalho. A polícia reprimiu a manifestação, dispersando a concentração, depois de ferir e matar dezenas de operários. Esta manifestação operária termina com mortes e detenções, 3anos depois nascia o Dia do Trabalhador.
Em 1890, o Congresso americano vota a lei que estabelece a jornada de oito horas de trabalho.
Em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu, em Paris, proclamar o 1º de Maio como o Dia do Trabalhador em memória dos que morreram em Chicago.
Nos Estados Unidos da América o Dia do Trabalhador celebra-se no dia 3 de Setembro e é conhecido por "Labor Day". É um feriado nacional que é sempre comemorado na primeira segunda-feira do mês de Setembro e está relacionado com o período das colheitas e com o fim do Verão.
No Canadá este feriado chama-se "Dia de Oito Horas". Tem este nome porque se comemora a vitória da redução do dia de trabalho para oito horas.
Na Europa o "Dia do Trabalhador" comemora-se sempre no dia 1 de Maio.
Em Portugal
Entre 1852 e 1910 realizaram-se 559 greves no nosso país. A subida dos salários, a diminuição da jornada de trabalho e a melhoria das condições de laboração eram as principais exigências dos operários.
Segundo José Mattoso, o movimento operário alcançava grande força quando "aquelas (associações) a que hoje chamaríamos propriamente «sindicatos» se juntavam com as recreativas, as de socorros mútuos e os centros políticos". Tal ficou demonstrado no 1º de Maio de 1900 que juntou em Lisboa cerca de 40 mil pessoas, numa altura em que "as classes médias ainda viam as organizações de trabalhadores com alguma simpatia".
Durante a 1ª República não se deixou de festejar o Dia do Trabalhador.
Durante o Estado Novo as manifestações no Dia do Trabalho (e não do Trabalhador) eram organizadas e controladas pelo Estado.
O primeiro 1º de Maio celebrado em Portugal depois do 25 de Abril foi a maior manifestação alguma vez organizada no país. Só na cidade de Lisboa juntaram-se mais de meio milhão de pessoas. Para muitos, foi a forma dos portugueses demonstrarem a sua adesão ao 25 de Abril, que uma semana antes restituía ao país a democracia.
Como professora das turmas 7º A, 7º D, 9º A, 10º I e 10º J um muito obrigada pela participação, colaboração e empenho na actividade "Revolução de Abril Na Nossa Escola - 34 Depois". Um agradecimento especial aos que mais se entusiamaram com o projecto. Como professora e ser humano fico orgulhosa dos meus alunos! A todos os outros alunos da nossa escola que participaram, nomeadamente na palestra proporcionada pelos ex-combatentes lousadenses, obrigada por ouvirem, participarem e respeitarem uma geração que viveu um ambiente de guerra, uma geração que sofreu e lutou por uma causa numa época que marcou a História do nosso país.
OBRIGADA PELA PARTICIPAÇÃO, PELOS TESTEMUNHOS VIVOS DUMA ÉPOCA QUE HOJE COMEMORAMOS!
- Sr. ANTÓNIO ESTEVES - Sr. ANTÓNIO MAGALHÃES DA CUNHA - Sr. JOAQUIM ARNALDO PINTO FERREIRA - Sr. LUÍS A. DAMASO - Sr. NORBERTO MOTA - SR. NOGUEIRA - Sr. FERNANDO FERREIRA MIRANDA - Sr. MANUEL JOAQUIM ESTEVES - D. VERITA TORRES DE SOUSA
Agradecemos o contributo e empenho de todos os alunos, familiares, amigos e ex-combatentes de guerra, que participaram nesta actividade através de testemunhos, entrevistas, registos fotográficos, organização da exposição na escola, material disponibilizado...e assim informar, enriquecer, clarificar a História da nossa região, a História feita por todos nós.
- Alberto Machado, Angola (avô do aluno José Machado,7º A); - António Feliciano Machado Mota, Índia (avô da aluna Francisca Mota, 7ºA); - António Nunes Carvalho, Angola (Jéssica Barbosa, 7º A); - Domingos Ferreira Lopes, Guiné-Bissau (avô da aluna Ânia Coelho, 7ºA); - José Fernando Ribeiro da Mota, Moçambique (tio da aluna Carla Mota, do 7º A); - António dos Santos, Guiné-Bissau (avô da aluna Laura Beatriz, 7º D); - António José Dias, Moçambique (avô do aluno Luís Dias, 7ºD); - Arnaldo Ferreira, Moçambique (avô da aluna Francisca Fereira, 7º D); - José António da Costa Teixeira, morto em combate na Guiné-Bissau (tio dos alunos Inês Pinto, Rodrigo Matias, Francisca Ferreira, 7º D); - Albino Borges Machado (Ana Luísa, aluna do 9º A); - Arnaldo Mesquita, preso político (Ana Luísa, 9º A); - Fernando Ferreira Miranda, Moçambique (tio da aluna Sara Valinhas, 9ºA); - António Correia Ribeiro, Angola (aluno Carlos, 9º E); - Joaquim Arnaldo Pinto Fereira, Moçambique (tio da aluna Roberta, 9º F) - Joaquim Fernando Cunha Oliveira, Guiné-Bissau (tio da aluna Joana Rafael, 10º B); - António Joaquim Correia da Silva, Guiné-Bissau (avô da aluna Cristiana Vieira, 10º J); - Filomeno da Costa, Guiné-Bissau (tio da aluna Cristiana Vieira, 10º J); - Francisco da Rocha, Angola (avô da aluna Vera Bessa, 10ºJ); - João Silva, Guiné-Bissau (vizinho da aluna Mª Graça Bessa, 10º J); - José Orlandino Gomes Mendes, Angola (vizinho da aluna Cristiana Vieira, 10ºJ); - José Teixeira da Silva, Moçambique (pai da aluna Ana Silva, 10º J); - Manuel Joaquim Esteves, Angola (tio da aluna Joana Sousa, 10º J); - António Augusto Castro Meireles, exilado político em Saint-Dennis (França)- (avô da aluna Teresa Barbosa,10º I); - Manuel Barbosa Pinto, Moçambique (tio do aluno Jorge Teixeira, 10º I);
Partindo das memórias do capitão Salgueiro Maia, a realizadora recria o dia em que Portugal aclamou a revolução.Um retrato da Revolução dos Cravos, que mudou a história portuguesa na década de 70.
Ano de Lançamento: 2000 Direção: Maria de Medeiros Música: António Vitorino D'Almeida Elenco: Stefano Accorsi (Maia; Maria de Medeiros (Antónia; Joaquim de Almeida(Gervásio; Frédéric Pierrot (Manuel); Fele Martínez (Lobão); Luis Miguel Cintra (Pais); Luís Cavaleiro (Oficial do GNR); Duarte Guimarães (Daniel); Joaquim Leitão (Filipe); Ricardo Pais (Marcelo Caetano); Mário Redondo (Ary); Otelo Saraiva de Carvalho (Oscar).
- A voz de Oscar ao telefone é a do tenente-coronel Otelo Saraiva de Carvalho, que interpreta em Capitães de Abril o mesmo papel que teve, na vida real, durante a Revolução Portuguesa de 1974, quando era major do Exército.
Salgueiro Maia nasceu em Castelo de Vide em 1944. Em 1964 ingressa na Academia Militar, sendo promovido a capitão em 1970. Em 25 de Abril avança sobre Lisboa obrigando à rendição de Marcelo Caetano. Faleceu em 1992.
Clube de Jornalismo – O que o levou a aderir ao movimento das forças armadas? Salgueiro Maia – Porque vivíamos numa ditadura e os nossos jovens eram enviados para a guerra, era preciso mudar esta situação. C.J. – O movimento fez alguns contactos com as rádios nacionais. De que modo é que elas contribuíram para o sucesso dos planos elaborados? S.M. – Serviram de sinal para todos os implicados no movimento. Às 22:55h passou na rádio a canção de Paulo de Carvalho «E Depois do Adeus», foi o sinal para assaltarem o Rádio Clube Português. À meia-noite e vinte toca a canção de Zeca Afonso «Grândola, Vila Morena». É o segundo sinal, o M.F.A. estava em marcha, já nada o podia travar. C.J. – A seguir às rádios qual era o próximo local a controlar? S.M. – Era o aeroporto de Lisboa que ficou sobe o nosso poder às 4:20h. C.J. – Nesta altura o capitão ainda estava em Santarém ou já tinha partido? S.M. – Deixei a Escola Prática de Cavalaria em Santarém às 3:30h com o objectivo de cercar o Terreiro do Paço. C.J. – A que horas chegou ao Terreiro do Paço? S.M. – Cheguei por volta das seis da manhã. C.J. – A partir desta altura a sua acção confunde-se com a própria história do 25 de Abril. Concorda com esta afirmação? S.M. – O meu papel foi importante pois fui o militar que esteve exposto à maior parte das situações de perigo. C.J. – Entretanto a PIDE toma conhecimento do movimento. Qual foi a atitude desta polícia perante a situação? S.M. – Telefonaram a Marcelo Caetano aconselhando-o a refugiar-se no Quartel do Carmo. C.J. – Entretanto tiveram problemas com outras forças militares fiéis ao regime? S.M. – Sim, tivemos alguns confrontos mas a maior parte dessas forças acabaram por aderir às Forças Armadas. C.J. – Quando o Capitão se dirige ao Quartel do Carmo já se vivia na rua um ambiente de revolução. Como o descreve? S.M. – Era um ambiente indescritível, os cravos vermelhos a ser enfiados nos canos das G3, os populares a vitoriavam os soldados. Quando cheguei ao Quartel do Carmo vi-me envolvido por uma multidão que enrouquecia a cantar o Hino Nacional. Foi o momento mais digno da minha vida. C.J. – Qual foi a sua acção junto do Quartel do Carmo? S.M. – Intimei a guarnição que lá se encontrava a render-se e a entregar Marcelo Caetano. A minha ordem não foi obedecida e então abri fogo sobre o edifício. Entrei lá dentro e dialoguei com o Presidente do Conselho. Mais tarde chega o General Spinola e Marcelo Caetano foi enviado para o asilo. C.J. – A partir de que momento considera a revolução ganha? S.M. – Após a rendição de Marcelo Caetano e a sua saída do Quartel. C.J. – A Junta de Salvação Nacional participou e ditou aos portugueses as leis da revolução. Como se sentiu a partir desse momento? S.M. – Senti que eu e os meus colegas tinham sido relegados para segundo plano, nós que tínhamos arriscado tudo a partir desse altura ficamos na sombra.
COMEMORAÇÕES DA REVOLUÇÃO DE ABRIL NA NOSSA ESCOLA - 34 ANOS DEPOIS…
A GUERRA COLONIAL - TESTEMUNHOS DE EX-COMBATENTES LOUSADENSES 24 de Abril às 15:00 h - Auditório da escola
ACTIVIDADE ORGANIZADA PELAS PROFESSORAS DA DISCIPLINA DE HISTÓRIA ANA ANTUNES, REGINA LIMA, ROSÁRIO GONÇALVES
Enquanto professoras da disciplina de História, parece-nos importante fomentar o convívio transgeracional, com vista a desenvolver o espírito crítico dos nossos alunos. Neste sentido, solicitamos a comparência dos interessados em avaliar a importância do 25 de Abril para a História recente do nosso país através dos testemunhos directos da nossa região.
Aerogramas Militares Isentos de Franquia - Guerra Colonial 1961 - 1974
Correspondência do Ultramar para a Metrópole. O transporte destes era sempre efectuado por via aérea. Eram postais bastante utilizados pelas tropas em serviço, com tarifa privilegiada. Os aerogramas eram editados pelo Movimento Nacional Feminino (MFN) que tinha por objectivo apoiar os soldados portugueses na guerra colonial, paralelamente às chamadas «madrinhas de guera», movimento igualmente presidido por mulheres da alta burguesia ligada ao regime salazarista.
MADRINHAS DE GUERRA:
Movimento Nacional Feminino (1961-1974), uma estrutura de mulheres criada e organizada para apoiar os militares, as suas famílias e o esforço do Estado Português em África. Mulheres cuja vontade para o serviço resultava de uma selecção que obedecia aos seguintes itens: nacionalidade portuguesa, maiores de 21 anos, moral idónea, espírito patriótico, coragem, capacidade de sacrifício, confiança na vitória e capacidade de transmissão dessa ideia.
Às "Madrinhas de guerra" era pedido/estipulado a distracção do(s) seus(s) afilhados através da troca de correspondência, em que na mesma fosse expresso a transmissão de coragem, confiança, orgulho pela prestação de um importante serviço à Pátria. Por outro lado, deviam também estabelecer contactos com a(s) família(s) desse(s) soldado(s), amparando-a(s) em tudo o que fosse possível, nomeadamente em termos morais e materiais.
Registe-se que o pedido dos soldados de "Madrinhas de Guerra" devia fazer-se directamente para a Comissão Central do Serviço Nacional de Madrinhas, onde era devidamente analisado e correspondido de acordo com as possibilidades. Salienta-se que as madrinhas deviam ser da mesma região, cidade ou povoação vizinha do(s) afilhado(s), por questões de afinidade, conhecimento da família e mais fácil prestação de apoio.Importa dizer que o aumento entretanto verificado do número de pedidos tornou notória a insuficiência de inscrições por parte de voluntárias.
As próprias voluntárias acabavam por se envolver com as situações. Umas, certamente mais do que outras, acompanhavam com ansiedade o percurso africano do(s) seus(s) afilhado(s) e acabavam por viver intensamente a situação, juntamente com a(s) família(s) a que ele(s) pertencia(m).Algumas destas mulheres estão ainda hoje vivas. Algumas destas mulheres falaram já do que foi esse seu trabalho. E confirmam. Confirmam o que sentiram, também elas, embora diferentemente, num contexto de guerra.
"Que cada uma de nós se lembre que lá longe, nas províncias ultramarinas, há rapazes que deixaram tudo: mulheres, filhos, mães, noivas e o seu trabalho, o seu interesse, tudo enfim, para cumprirem o seu dever de soldados. É preciso que as mulheres portuguesas se compenetrem da sua missão, e assim como eles estão cumprindo o seu dever, lutando pela nossa querida Pátria, também vós tendes para cumprir o vosso, lutando pelo bem-estar dos nossos soldados- luta essa bem pequenina, pois uma só palavra, um pouco de conforto moral basta para levar alguma felicidade aos que estão contribuindo para a defesa da integridade do nosso Portugal. OFEREÇAM-SE PARA MADRINHAS DE GUERRA. MANDEM O VOSSO NOME E A VOSSA MORADA PARA A SEDE DO MOVIMENTO NACIONAL FEMININO".
("Madrinhas de guerra". In: Revista Presença. Nº 1, 1963, p. 36-37).
"Querido militar:
(...) Lutas pela paz da tua família. Lutas para que, em tua casa, todos possam viver sem terror. Lutas para que os rapazinhos de agora tenham aquela Pátria grande e livre que herdaste! Tu enfrentas de armas na mão, orgulhosamente, o inimigo que pretende roubar a segurança do teu lar! Obrigada, soldado! SAÚDA-TE A TUA MADRINHA".
("Querido Militar". In: Revista Mensagem. Nº 2, 1962, p. 2).
NOME: FILOMENO DA COSTA (tio da aluna Cristiana Vieira, 10º J). ORIGEM: S. MIGUEL – LOUSADA DATA DE NASCIMENTO: 12 de Agosto de 1947 a 10 de Abril de 1970 PALCO DE GUERRA: EXÉRCITO - GUINÉ-BISSAU. CATEGORIA: SOLDADO.
MORREU EM AMBIENTE DE GUERRA, CASADO, DEIXOU A MULHER VIÚVA, MUITO NOVO PARA MORRER NUMA GUERRA! NUMA GUERRA SEM SENTIDO!!!
SERÁ UM DOS HOMENAGEADOS NO DIA 25 DE ABRIL DE 2008 EM LOUSADA ATRAVÉS DA INAUGURAÇÃO DO MONUMENTO AOS EX-COMBATENTES LOUSADENSES MORTOS NO ULTRAMAR.
Designa-se por Guerra Colonial, Guerra do Ultramar (designação oficial portuguesa do conflito até ao 25 de Abril), ou Guerra de Libertação (designação mais utilizada pelos africanos independentistas), o período de confrontos entre as Forças Armadas Portuguesas e as forças organizadas pelos movimentos de libertação das antigas províncias ultramarinas de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, entre 1961 e 1974. Ao longo do seu desenvolvimento foi necessário aumentar progressivamente a mobilização das forças portuguesas, nos três teatros de operações, de forma proporcional ao alargamento das frentes de combate que, no início da década de 1970, atingiria o seu limite crítico. Pela parte portuguesa, a guerra sustentava-se pelo princípio político da defesa daquilo que considerava território nacional, baseando-se ideologicamente num conceito de nação pluricontinental e multi-racial. Pelo outro lado, os movimentos de libertação justificavam-se com base no princípio inalienável de auto-determinação e independência, num quadro internacional de apoio e incentivo à luta. A Guerra Colonial foi, desde sempre, apontada como a principal justificação para a queda irrevogável do Estado Novo em Portugal.
A PIDE, que já no Brasil fizera uma tentativa de assassinar Humberto Delgado, infiltrou certos círculos da oposição mantendo uma apertada vigilância sobre todos os movimentos do líder da oposição portuguesa no exílio. Uma intensa campanha de descrédito e de isolamento, alimentada pelos serviços secretos, fomentou, gradualmente, ao longo de um período de cinco anos, a criação de uma rede de informadores que conseguiu obter a confiança do General. Foi assim que ele consentiu no encontro de Badajoz em Fevereiro de 1965. Convencido que se ia reunir com oficiais portugueses interessados em derrubar o regime, Humberto Delgado foi de facto ao encontro da morte. Uma brigada da PIDE chefiada pelo inspector Rosa Casaco atravessou a fronteira utilizando passaportes falsos, a fim de montar a cilada que vitimaria o General e a sua secretária brasileira, Arajaryr Campos.
13 de Fevereiro de 1965 é a data do encontro fatídico, marcado para os Correios de Badajoz, donde aliás enviou quatro postais para quatro amigos em quatro países diferentes e assinados com o nome de sua irmã - Deolinda. O objectivo do envio destes postais correspondia a um código, previamente combinado, que significava: 'estou vivo e não estou preso'. Foi o último sinal de vida e por isso aquela data é considerada a data do seu assassinato que se pressupõe ter ocorrido perto de Olivença.
Durante dois meses de especulações e de mentiras deliberadas da imprensa portuguesa nada se soube de Humberto Delgado. A pedido do Professor Emídio Guerreiro em Paris, a Federação Internacional dos Direitos do Homem enviou a Espanha uma delegação composta por um escocês, um italiano e um francês. Estes foram confrontados com uma muralha de silêncio em Espanha. No entanto, após o seu regresso a Paris, a 24 de Abril de 1965, os membros da delegação puderam ler nos jornais as notícias da descoberta dos dois cadáveres numa campa rasa quase à superfície, perto da aldeia de Villanueva del Fresno, num caminho conhecido por Los Malos Pasos.
Em 1990, dezasseis anos após o 25 de Abril de 1974 que restaurou a democracia em Portugal, o general Humberto Delgado foi postumamente elevado a marechal da Força Aérea e os seus restos mortais trasladados para o Panteão Nacional.