Ciência Hoje: Gostaríamos que nos falasse um pouco da sua infância.
Leonardo da Vinci: O meu pai era um notário de Florença e a minha mãe uma simples camponesa. Julgo que não se conheceram para reconhecimento de uma assinatura, uma vez que ela seria analfabeta. Nasci no dia 15 de Abril de 1452.
CH: Como sentiu o facto de ser filho ilegítimo?
LdV: Tendo em conta a época, não foi tão mau como isso, embora fosse um estigma com o qual era difícil viver. Ainda por cima era canhoto, o que era considerado, então, um sinal diabólico. De qualquer modo, o meu pai não descurou a minha educação. Com cinco anos fui para casa dele. Em 1460 mudámo-nos para Florença.
CH: Foi aí que entrou para a oficina de André Verrocchio...
LdV: Isso foi passado alguns anos. Efectivamente, o meu pai não descurou a minha educação e tive um acesso privilegiado ao conhecimento literário e artístico daquele tempo. Os tempos passados na oficina de Verrocchio foram muito difíceis mas proveitosos: fazia tintas, cuidava de pincéis, etc. No entanto, modéstia à parte, depressa dei nas vistas, o que é algo que dá jeito nas artes visuais.
CH: Conta-se, aliás, que o seu mestre teria desistido de pintar ao aperceber-se de que nunca alcançaria o valor de Leonardo.
LdV: Mesmo que não seja verdade é uma boa história, não acha?
CH: É verdade. Tendo um início auspicioso que iria ser confirmado numa carreira brilhante como artista a verdade é que não se distinguiu menos como cientista.
LdV: E arquitecto e engenheiro e anatomista. Em mim, nunca a prática e a teoria estiveram desligadas, tudo se relaciona com tudo. É por isso que nunca senti nenhum conflito entre todas essas minhas facetas.
CH: Aliás, os seus estudos anatómicos ficaram quase tão célebres como as suas pinturas...
LdV: Sempre tive essa obsessão de conhecer a fundo o corpo humano porque, na realidade, não há melhor obra de engenharia, não pode haver arquitectura mais perfeita nem poderia haver melhor motivo de pintura.
(…)
CH: E legou-nos, também, uma impressionante quantidade de desenhos com inventos seus.
LdV: Sabe? Era muito fácil ser inventor num tempo em que estava tanta coisa por inventar. Fazia-me confusão que, havendo tanto céu, o homem não conseguisse voar e que, havendo tanta água, não se conhecesse o fundo do mar.
CH: Deve ficar espantado, então, com as conquistas tecnológicas do mundo actual.
LdV: O que me espanta é que tenha sido preciso esperar 500 anos até se conseguir voar.
(…)
Fonte: Fernando Nabais in www.cienciahoje.pt/index.php
Proposta de trabalho:
À semelhança desta entrevista a uma personagem histórica do Renascimento, redige outras entrevistas a personagens históricas deste período, tais como Miguel Ângelo, Erasmo de Roterdão, Luís de Camões, Brunelleschi, Miguel Cervantes… Para isso, começa por pesquisar informações sobre a vida da figura que seleccionares entrevistar, em Enciclopédias como por exemplo a Diciopédia.