2008/10/11

A vida a bordo dos primeiros barcos das Descobertas


"Numa viagem prolongada como a de Magalhães, a vida a bordo, desconfortável na melhor das hipóteses, podia tornar-se um pesadelo. O tédio abalava os ãnimos. Agua pútrida e alimentos deteriorados minavam as forças dos marinheiros. A exiguidade do espaço no alojamento causava exasperação. Para lutar contra o tédio, Magalhães incluiu nas suas provisões 5 tambores e 20 pandeiretas para distracção da tripulação da armada. No entanto, na maioria das horas de folga, os marinheiros passavam o tempo na tradicional ocupação de contarem uns aos outros histórias do mar. Os capitães tentaram frequentemente limitar o número de tripulantes veteranos e preferiam alistar novos marinheiros, evitando assim a repetição de histórias já muito ouvidas. Contudo, era impossível dispensar completamente os velhos lobos do mar, pois eram necessários para ensinar aos novos as manobras de bordo. Além disso, os marinheiros experientes, com tendência para procurarem um significado oculto nas ordens do capitão, aumentavam as possibilidades de motins. O receio de navegar por mares desconhecidos, conjugado com o desconforto da vida a bordo, tornava difícil manter a disciplina. As ordens não eram automaticamente obedecidas e os capitães tinham de se esforçar bastante para fazer prevalecer a sua autoridade sobre as tripulações indisciplinadas. Daí que por vezes fosse necessário recorrer a castigos drásticos. Na gravura em cima, à direita, vê-se um marinheiro a ser repetidamente mergulhado de uma plataforma à popa, um outro a ser arrastado por cordas para passar por debaixo da quilha e um terceiro com uma faca espetada na mão a prendê-la ao mastro. A tripulação era um grupo heterogéneo oriundo das camadas mais desfavorecidas da sociedade. Os tripulantes podiam também ser de diversas nacionalidades. Na armada de Magalhães, além de espanhóis e portugueses, havia italianos, franceses, alemães, negros e um inglês. Estavam distribuídos por turnos de vigia de quatro horas cada um. O tempo correspondente a oito ampulhetas de meia hora perfazia um turno de vigia completo. A sineta de bordo ou o grito do moço de bordo assinalavam o virar da ampulheta. As si netas de bordo dos tempos modernos têm origem neste costume. As suas tarefas, quando em serviço, incluíam desfraldar as velas, esfregar o convés e manejar o cordame, como se vê na gravura em baixo. Terminado o período de vigia, os homens deitavam-se nas tábuas duras do convés, sem colchões nem redes onde dormir. Com efeito, só os oficiais dispunham de camarotes com beliches.(...)"

Fonte: Os Grandes Exploradores de todos os Tempos, Selecções do Reader's Digest.

Sugestões:

Imagina que és um marinheiro do período dos Descobrimentos. Conta-nos um dia da tua vida a bordo de um barco dos Descobrimentos!

2 comentários:

Anónimo disse...

Com este texto fiquei a saber mais sobre a vida dos marinheiros, de antigamente ,as condições em que eles viviam dentro desses barcos.A viver grandes aventuras.



Albertino 8*d

Rosário Gonçalves disse...

É verdade e não era nada fácil essa vida! "Agua pútrida e alimentos deteriorados minavam as forças dos marinheiros. A exiguidade do espaço no alojamento causava exasperação(...)".